"A MÚSICA"
Constata-se que a música está inserida na sociedade como um importante elemento cultural que pode levar à transformação do ser humano, no âmbito individual, e da sociedade, no âmbito coletivo.
Como afirma Cruvinel, em seu livro Educação Musical e Transformação Social (2005), a música tem a função de contribuição para a integração da sociedade, reduzindo seus desequilíbrios, promovendo ponto de união, em torno do quais as pessoas se congregam, sendo exigida cooperação grupal. Nota-se a satisfação do indivíduo em participar de algo familiar ou de fazer parte de um grupo que é constituído de pessoas que possuem os mesmos valores, os mesmos modos de vida e as mesmas formas de arte.
No desabafo das músicas de protesto, onde se permite que o indivíduo ajuste-se as condições podem ser também observadas esta relação, promovendo a mudança a partir da mobilização do sentimento grupal. Aulas, situações contribuem para a cooperação harmoniosa entre os indivíduos, que agem com unidade, compartilhando um sentimento de prazer.
Os dias atuais são marcados por uma diversidade de tendências musicais, que convivem com uma mistura de idéias, conceitos, concepções estéticas e criativas, e é nesse momento que devemos saber, qual é a verdadeira função da educação musical na sociedade contemporânea, qual é o papel da educação musical nesse contexto, que tipo de aluno (ser humano, cidadão) pretende-se formar.
Freire apresentou diretrizes para um redirecionamento do ensino de graduação em música, partindo da análise de seu conteúdo e de uma concepção dialética de educação. Ela utilizou como fundamentação as teorias de Gadotti. Esclarece que “o compromisso com a historicidade impede o exercício de uma arte aparentemente destituída de marcos temporais e espaciais, ou seja, alienada desta forma, o compromisso e o futuro” (Gadotti apud Crivinel 2005)
A criação do conhecimento não significa excluir ou desprezar não parar neles; a preservação do conhecimento não significa imobilismo nem cristalização mas assegurar o acesso ao acervo cultural da humanidade, revisitado a partir das reflexões críticas sempre renovadas, dando conta da dinâmica desse conhecimento num processo de recriação permanente;
Reflexão crítica e elaboração teórica são procedimentos inseparáveis da prática, pois não deve existir uma dissociação ou uma incompatibilidade entre teoria e prática musical, já que eles são elementos integrantes de um mesmo movimento;
A prática atual é o compromisso com todas as modalidades musicais que coexistem na contemporaneidade, considerando-se os conflitos e contradições sociais que essas músicas representam.
Por outro lado, a prática musical atual deve da mesma forma privilegiar a ação individual, artística do músico, que não é esgotada na reprodução, mas atinge sua plenitude no ato de criação, na expressão dos sentimentos, ou dos significados, ou de sentidos.
Segundo Kater a Implicação política envolve a possibilidade de construção da própria história, até onde seria possível, em uma perspectiva de transformação social. O compromisso político seria “inserir os conteúdos nos contextos humanos e sociais que lhes dão sentido, ao invés de tentar isolá-los para compreendê-los” .
O ensino musical, sem a compreensão das realidades sócio-culturais por parte dos alunos não tem como propor uma pedagogia musical adequada.
Por isso, cada vez mais, torna-se necessário que os professores de música compreendam as realidades sócio-culturais dos alunos, na sua diversidade, para que possam propor metodologias de ensino adequadas, que possibilitam a compreensão de como a educação musical pode ter uma atuação mais contundente no campo social. O professor de música deve estar atento ao meio em que vive, ao cotidiano, para que a experiência musical dos alunos seja transformadora.
Para Kater O educador musical deve estar atento às questões como: Qual é a música que se deve ensinar no nosso tempo? Para quê (objetivo)? Por quê? (justificativa)? Para quem (público alvo)? Como despertar um maior interesse dos alunos pela música? Quais metodologias(s) utilizar?